O PECADO ORIGINAL
O que diz o Génesis?
Criação do homem
Façamos o ser humano à sua imagem e semelhança (…) Ele os criou homem e mulher
Gn1, 26-31
LUCAS CRANACH
http://en.wikipedia.org/wiki/Adam_and_Eve
BLAKE- Adão e Eva dormindo
http://www.wga.hu/index1.html
Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida
Gn2-7
ALLORI
http://www.wga.hu/index1.html
O Jardim do Eden
Depois o Senhor Deus plantou um jardim no Eden (…) e fez brotar da terra toda a espécie de arvores agradáveis(…) assim como a arvore do conhecimento do bem e do mal
Gn 1, 4-16
JAN BRUEGHEL
http://www.wga.hu/index1.html
A tentação da serpente
Em Gn 3, 1-6 descreve-se a tentação da serpente
ABILDGAARD
http://www.wga.hu/index1.html
Illuminated parchment, Spain, circa AD 950-955, depicting the Fall of Man, cause of original sin.
http://en.wikipedia.org/wiki/Original_sin
Cranach, o Jovem
http://www.wga.hu/index1.html
O castigo de Deus( Gn 13, 14-24)
Deus obrigou-os a “arrancar alimento através de penoso trabalho” e para a mulher aumentarei os sofrimentos da tua gravidez
Crabeth
http://www.wga.hu/index1.html
Em seguida expulsou-os do jardim do Éden
MASACCIO – Expulsão do Jardim do Éden
http://www.artchive.com/viewer/z.html
Expulsion from Paradise", marble bas-relief by Lorenzo Maitani on the Orvieto Cathedral, Italy
http://en.wikipedia.org/wiki/Garden_of_Eden
Adam and Eve expelled from Eden, detail of a Baroque pulpit.
http://en.wikipedia.org/wiki/Adam_and_Eve
O pecado original existiu como hoje é apresentado?
A Bíblia nunca fala no pecado original nem da transmissão desta falta de Adão e Eva através das gerações.
Embora S. Paulo aborde vagamente o tema (Rom.5, 13-21) o conceito deve-se a S.Agostinho- todo o ser humano nasce marcado pelo pecado original que só poderá ser apagado pelo baptismo.
Esta ideia que não deveria passar duma posição filosófica, e portanto falível, foi instituída erradamente pela Igreja como verdade absoluta.
Pode encontrar informações detalhadas em:
http://www.newadvent.org/cathen/11312a.htm
http://www.bbc.co.uk/religion/religions/christianity/beliefs/originalsin_1.shtml
http://www.theologicalstudies.org.uk/pdf/sin_parker.pdf
Argumentos contra estes conceitos
Para mim, há pelo menos dois argumentos que me levam a não aceitar estes conceitos
• É difícil aceitar que um Deus que embora todo poderoso é essencialmente misericordioso, tenha condenado num acesso de ira todas as gerações a uma condenação para um acto que elas não cometeram
• Os estudos actuais sobre a evolução mostram que a mutação que formou o homem não se passou num individuo mas sim numa população e por isso surgiram simultaneamente vários Adãos e Evas
Que ilacções tirar desta história
É evidente que este relato não corresponde à realidade. À boa maneira semita é uma história para nos levar a tirar conclusões.
Quais as conclusões que podemos tirar?
O contacto com a arvore do conhecimento representa ter sido dado ao homem o conhecimento do bem e o mal e a capacidade de optar livremente entre o bem e o mal.
Discutiremos noutra sessão, a propósito do juízo final, as consequências destas opções
domingo, 13 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
As mulheres no ceistianismo
As mulheres e o cristianismo
Embora não se possa dizer que no judaísmo houvesse igualdade entre homens e mulheres, Cristo tratou as mulheres como iguais
Todavia a menção a mulheres, nomeadamente a mãe de Jesus e Maria Madalena não se encontra nem sequer uma vez nos textos dos apóstolos
Razões
A teologia cristã foi penetrada por um certo platonismo que valorizava o espiritual em detrimento do carnal
S.Agostinho, talvez como consequência do seu percurso espiritual via no desejo sexual o símbolo do pecado original
O gnosticismo com o culto da deusa, muito espalhado nos primeiros séculos, trouxe o receio para mim totalmente infundado, que santificar mulheres poderia ser considerado o prolongamento do culto da deusa
Por esta razão Maria foi considerada mãe de Deus e mais tarde veio o dogma da Imaculada Conceição, retirando-lhe assim as suas características humanas
A Inquisição
A Inquisição católica publicara o livro que podia sem exagero ser considerado o texto mais ensopado em sangue de toda a história humana, Malleus Malleficarum – ou o Martelo das Bruxas - alertava o mundo para os perigos das mulheres livre-pensadoras e ensinava o clero a descobri-las, torturà-las e destruí-las. Pertenciam ao grupo das que a Igreja considerava bruxas todas as eruditas, sacerdotisas, ciganas místicas, amantes da natureza, as recolectoras de ervas e qualquer mulher “ suspeitosamente sintonizadas com o mundo natural”. Também as parteiras eram mortas por usarem os seus conhecimentos de medicina para aliviar as dores do parto – um sofrimento, afirmava a Igreja, que Deus muito justamente impusera às mulheres como castigo por Eva ter partilhado o Fruto do Conhecimento, dando assim origem à ideia do Pecado Original. Durante trezentos anos de caça às bruxas, a Igreja queimara na fogueira, uns estarrecedores cinco milhões de mulheres
Dan Brown
O número apresentado por Dan Brown está francamente exagerado
Calcula-se que terão sido condenadas por bruxaria 30 a 50.000 pessoas, das quais 75% eram mulheres. A maior parte das condenações foi feita por tribunais civis
Num estudo de 2004, consultando os arquivos secretos do Vaticano, concluiu-se que a inquisição condenou à morte cerca de 100 bruxas
O livro Malleus malleficarum foi editado a título privado em 1486, nunca tendo sido utilizado pela Inquisição
Teve várias edições principalmente na Alemanha onde não havia inquisição e muitos estados eram protestantes
Em http://www.sacred-texts.com/pag/mm/
encontra uma tradução inglesa deste livro
Antes do século IX havia uma crença popular que acreditava que havia pessoas más, particularmente mulheres, que se dedicavam a matar outras por magia negra e feitiçaria
Esta crença continuou e recrudescia quando surgiam catástrofes como grandes epidemias mortais ou incêndios devastadores
Destas 30 a 50.000 condenações ¾ foram na Europa
Embora tenha havido condenações em muitos países , com maior expressão na Polónia, Holanda e Belgica, a maior parte das condenações foi feita na Alemanha
Pode encontrar estudos detalhados em
http://www.religioustolerance.org/wic_burn2.htm
Situação actual
Esta posição nunca afectou os crentes pois estes sempre veneraram Maria e Maria Madalena
Outras santas que passaram a fazer parte da liturgia, enalteceram o papel da mulher na Igreja
O melhor conhecimento da sexualidade e outras interpretações das Escrituras, retirando a associação da mulher com o pecado original e dando valor espiritual ao diálogo dos corpos, colocou a mulher no lugar que lhe pertencia
Algumas religiões secundarizam ainda a mulher assim como algumas tradições e costumes
Há muito menos mulheres na politica e nos negócios, embora haja mulheres de sucesso
Na religião católica não há mulheres padres
Embora ainda haja um longo caminho a percorrer, a evolução que se vai efectuando coloca-nos numa posição correcta que nos permite vaticinar grandes progressos
Embora não se possa dizer que no judaísmo houvesse igualdade entre homens e mulheres, Cristo tratou as mulheres como iguais
Todavia a menção a mulheres, nomeadamente a mãe de Jesus e Maria Madalena não se encontra nem sequer uma vez nos textos dos apóstolos
Razões
A teologia cristã foi penetrada por um certo platonismo que valorizava o espiritual em detrimento do carnal
S.Agostinho, talvez como consequência do seu percurso espiritual via no desejo sexual o símbolo do pecado original
O gnosticismo com o culto da deusa, muito espalhado nos primeiros séculos, trouxe o receio para mim totalmente infundado, que santificar mulheres poderia ser considerado o prolongamento do culto da deusa
Por esta razão Maria foi considerada mãe de Deus e mais tarde veio o dogma da Imaculada Conceição, retirando-lhe assim as suas características humanas
A Inquisição
A Inquisição católica publicara o livro que podia sem exagero ser considerado o texto mais ensopado em sangue de toda a história humana, Malleus Malleficarum – ou o Martelo das Bruxas - alertava o mundo para os perigos das mulheres livre-pensadoras e ensinava o clero a descobri-las, torturà-las e destruí-las. Pertenciam ao grupo das que a Igreja considerava bruxas todas as eruditas, sacerdotisas, ciganas místicas, amantes da natureza, as recolectoras de ervas e qualquer mulher “ suspeitosamente sintonizadas com o mundo natural”. Também as parteiras eram mortas por usarem os seus conhecimentos de medicina para aliviar as dores do parto – um sofrimento, afirmava a Igreja, que Deus muito justamente impusera às mulheres como castigo por Eva ter partilhado o Fruto do Conhecimento, dando assim origem à ideia do Pecado Original. Durante trezentos anos de caça às bruxas, a Igreja queimara na fogueira, uns estarrecedores cinco milhões de mulheres
Dan Brown
O número apresentado por Dan Brown está francamente exagerado
Calcula-se que terão sido condenadas por bruxaria 30 a 50.000 pessoas, das quais 75% eram mulheres. A maior parte das condenações foi feita por tribunais civis
Num estudo de 2004, consultando os arquivos secretos do Vaticano, concluiu-se que a inquisição condenou à morte cerca de 100 bruxas
O livro Malleus malleficarum foi editado a título privado em 1486, nunca tendo sido utilizado pela Inquisição
Teve várias edições principalmente na Alemanha onde não havia inquisição e muitos estados eram protestantes
Em http://www.sacred-texts.com/pag/mm/
encontra uma tradução inglesa deste livro
Antes do século IX havia uma crença popular que acreditava que havia pessoas más, particularmente mulheres, que se dedicavam a matar outras por magia negra e feitiçaria
Esta crença continuou e recrudescia quando surgiam catástrofes como grandes epidemias mortais ou incêndios devastadores
Destas 30 a 50.000 condenações ¾ foram na Europa
Embora tenha havido condenações em muitos países , com maior expressão na Polónia, Holanda e Belgica, a maior parte das condenações foi feita na Alemanha
Pode encontrar estudos detalhados em
http://www.religioustolerance.org/wic_burn2.htm
Situação actual
Esta posição nunca afectou os crentes pois estes sempre veneraram Maria e Maria Madalena
Outras santas que passaram a fazer parte da liturgia, enalteceram o papel da mulher na Igreja
O melhor conhecimento da sexualidade e outras interpretações das Escrituras, retirando a associação da mulher com o pecado original e dando valor espiritual ao diálogo dos corpos, colocou a mulher no lugar que lhe pertencia
Algumas religiões secundarizam ainda a mulher assim como algumas tradições e costumes
Há muito menos mulheres na politica e nos negócios, embora haja mulheres de sucesso
Na religião católica não há mulheres padres
Embora ainda haja um longo caminho a percorrer, a evolução que se vai efectuando coloca-nos numa posição correcta que nos permite vaticinar grandes progressos
domingo, 30 de maio de 2010
Casam,entos interreligiosos
CASAMENTOS INTERRELIGIOSOS
Será possível noivos de religiões diferentes serem felizes no casamento?
Para dar uma resposta temos que considerar vários factores.
Fundamentalismo
Será certamente o maior inimigo dum bom entendimento.
O fundamentalista acredita firmemente que a sua religião é a única verdadeira e que quem não a pratica é herege.
Não aceita que cada um detem apenas uma parte da verdade correspondente à grandeza infinita de Deus e que o que é preciso é uma fé sincera, honesta e coerente que leve a amar e respeitar todos.
Notemos que não há apenas um fundamentalismo religioso – existe tambem nos domínios do desporto e da politica.
Respeito pelo outro
Se o outro não for considerado um ser igual e com os mesmos direitos e deveres indepentemente das diferenças de religião, o diálogo e a vida em comum serão difíceis.
Secundarização da mulher
Se entre católicos e protestantes é aceite a igualdade entre homens e mulheres , o mesmo não se passa no judaísmo e muito particularmente no islamismo.
No islamismo a mulher é totalmente marginalizada e secundarizada, sendo-lhe impostas limitações
totalmente inaceitáveis para uma mentalidade ocidental
Imposição de costumes
Em todas as religiões, mais numas que noutras, muitos costumes foram transformam em normas.
Educação religiosa dos filhos
Este é um ponto muito fraturante.
Quando nasce o primeiro filho cada um quer impor a cerimónia religiosa ao filho, em vez de seguir a única solução possível para o casal – deixar os filhos escolherem quando adultos.
Importância do dialogo e do amor
Estas questões são impeditivas de levar a um casamento feliz entre noivos de religiões diferentes?
É importante que os noivos dialoguem abertamente e com amor sobre os pontos que os dividem, o que só se resolverá com múltiplos compromissos e cedencias sobre atitudes a ter durante toda a vida em conjunto.
Se o fundamentalismo for levado a um extremo, não haverá cedências e a felicidade será impossível
Se o amor moderar o fundamentalismo ou os noivos forem moderados nas suas ideias religiosas, é possível construir a felicidade
Será possível noivos de religiões diferentes serem felizes no casamento?
Para dar uma resposta temos que considerar vários factores.
Fundamentalismo
Será certamente o maior inimigo dum bom entendimento.
O fundamentalista acredita firmemente que a sua religião é a única verdadeira e que quem não a pratica é herege.
Não aceita que cada um detem apenas uma parte da verdade correspondente à grandeza infinita de Deus e que o que é preciso é uma fé sincera, honesta e coerente que leve a amar e respeitar todos.
Notemos que não há apenas um fundamentalismo religioso – existe tambem nos domínios do desporto e da politica.
Respeito pelo outro
Se o outro não for considerado um ser igual e com os mesmos direitos e deveres indepentemente das diferenças de religião, o diálogo e a vida em comum serão difíceis.
Secundarização da mulher
Se entre católicos e protestantes é aceite a igualdade entre homens e mulheres , o mesmo não se passa no judaísmo e muito particularmente no islamismo.
No islamismo a mulher é totalmente marginalizada e secundarizada, sendo-lhe impostas limitações
totalmente inaceitáveis para uma mentalidade ocidental
Imposição de costumes
Em todas as religiões, mais numas que noutras, muitos costumes foram transformam em normas.
Educação religiosa dos filhos
Este é um ponto muito fraturante.
Quando nasce o primeiro filho cada um quer impor a cerimónia religiosa ao filho, em vez de seguir a única solução possível para o casal – deixar os filhos escolherem quando adultos.
Importância do dialogo e do amor
Estas questões são impeditivas de levar a um casamento feliz entre noivos de religiões diferentes?
É importante que os noivos dialoguem abertamente e com amor sobre os pontos que os dividem, o que só se resolverá com múltiplos compromissos e cedencias sobre atitudes a ter durante toda a vida em conjunto.
Se o fundamentalismo for levado a um extremo, não haverá cedências e a felicidade será impossível
Se o amor moderar o fundamentalismo ou os noivos forem moderados nas suas ideias religiosas, é possível construir a felicidade
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